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Bracuhy
Veja pouco da história aqui:

O imperador do café
Dono de um exército de escravos e de fazendas do tamanho de um país, Joaquim José de Souza Breves foi o brasileiro mais rico do século XIX
Aloysio Clemente Breves Beiler

Em 30 de setembro de 1889, pouco mais de um ano após a Abolição, morria na sua Fazenda de São Joaquim da Grama, em Rio Claro, no Rio de Janeiro, o comendador Joaquim José de Souza Breves, conhecido como o “rei do café” no Brasil Imperial. Ele foi, sem dúvida, o maior proprietário de escravos e terras do século XIX, chegando a ter mais de seis mil cativos. Nascido em fevereiro de 1804 na Fazenda Mangalarga, em Piraí, RJ, era filho do capitão-mor José de Souza Breves, e acumulou fortuna somando a compra de fazendas à herança dos pais e ao casamento com sua sobrinha Maria Isabel de Moraes Breves, filha dos barões do Piraí. No seu inventário, aberto em 1891, constavam mais de 100 propriedades: 72 fazendas, imóveis nas cidades e na capital, ilhas e embarcações. Se tivesse falecido antes da Lei Áurea e se computássemos o valor da escravaria, sua fortuna chegaria a somas extraordinárias, mesmo para os padrões atuais de riqueza.
Breves não acreditava na Abolição. Continuou comprando escravos após a proibição do tráfico negreiro, em 1850, e mesmo depois do 13 de maio tirou o velho relho (chicote) da parede e deu uma surra numa escrava chamada Basília, que tinha “emburrado” e não queria voltar ao trabalho. O contínuo tráfico de escravos, destinados às suas muitas fazendas, rendeu-lhe inclusive um processo: o chamado “caso Bracuí”, que movimentou a Corte e envolveu outro grande cafeicultor, Manoel de Aguiar Vallim, de Bananal, São Paulo. Em janeiro de 1852, fora confirmado o desembarque ilegal de africanos em Bracuí, Angra dos Reis, RJ, em terras pertencentes aos Breves, mais precisamente na Fazenda Santa Rita, de propriedade do irmão de Joaquim Breves. Aberto um inquérito, Breves e Vallim foram levados a júri em Angra dos Reis. E inocentados.

Além de potentado do café, Breves foi testemunha ocular da História. Aos 18 anos, ele acompanhava o príncipe D. Pedro na jornada do Ipiranga, tendo o privilégio de assistir à cena do grito da Independência. Foi o último sobrevivente do episódio, que rememorava entusiasmado na velhice, dizendo que a indisposição e o mau humor de D. Pedro no dia 7 de setembro de 1822 se deviam em grande parte a uma feijoada que comera na véspera. Mais tarde, Breves receberia, pela sua fidelidade ao monarca, o título de Comendador da Ordem da Rosa, em 15 de agosto de 1830, iniciando aí uma carreira política. Com a abdicação de Pedro I, tomou posição antagônica ao governo, passando de colaborador a opositor.
Por causa da fortuna em café, escravos e terras, Breves se tornou um político influente, tendo sido presidente da Câmara de São João do Príncipe, eleito e reeleito juiz de paz e vereador, e deputado, em duas legislaturas, na Câmara Provincial. Em 1842, o ministério liberal demitido por Pedro II foi substituído pelo ministério conservador, trazendo grande insatisfação para os liberais e provocando em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro levantes contra o governo central. Entre os líderes do movimento no Rio de Janeiro estava Joaquim José de Souza Breves. Entretanto, apesar de pertencer ao Partido Liberal, jamais atacou seus parentes: seu sogro, o barão do Piraí, e seu cunhado, Lima e Silva (irmão do duque de Caxias), eram líderes conservadores.

O último Navio Negreiro
Destroços do Brigue americano Camargo, que trouxe 500 escravos, são localizados em Angra.
No fundo do mar de Angra dos Reis repousa um dos mais importantes - e incômodos - tesouros arqueológicos do País; os destroços do brigue americano Camargo, o último navio negreiro a desembarcar escravos em solo brasileiro.
O ano era 1852 e o tráfico já estava proibido.
Por isso para não deixar provas da operação criminosa, o capitão ateou fogo á embarcação, que foi a pique....
De fato, não é agradável imaginar que, há menos de 200 anos, era considerado normal arrancar pessoas de sua terra natal, amontoá-las em navios sem nenhuma condição de higiene e desembarcá-las como escravas do outro lado do mundo.
O tráfico de escravos era um negócio tão lucrativo (um homem comprado na África por US$ 40,00 podia ser vendido no Brasil por US$ 400,00 e até por US$ 1200,00, em valores atuais) que, na lógica mercantilista cruel, a perda de alguns homens durante a viagem não fazia diferença.
Por isso as condições do transporte eram as mais insalubres (e baratas) possíveis.
Tão lucrativo era o tráfico que valia mesmo a pena afundar um navio para não deixar provas do crime, como aconteceu com o Camargo.
O boato de que um brigue americano havia desenbarcado no porto de Bracui em dezembro de 1852 correu rapidamente, chegando aos ouvidos do Imperador.
Uma investigação foi aberta e um contingente de 400 policiais chegou a ser enviado a Angra dos Reis.
Para eliminar as provas de seu crime o Capitão do navio, Nathaniel Gordon, não teve dúvidas: pôs fogo na embarcação e, em seguida, fugiu para os estados Unidos vestido de mulher para despistar as autoridades.
Mas Gordon não foi tão hábil em escapar da justiça americana.
Em 21 de fevereiro de 1862 ele foi enforcado nos EUA, tornando-se o único cidadão daquele país a ser condenado á morte por participação no tráfico negreiro.
Na outra ponta da história, recebendo os escravos trazidos por Gordon, estaria um dos mais cruéis senhores de terra e donos de escravos no Brasil, o comendador Joaquim se Souza Breves, também conhecido como o "rei do café" dada a sua produção recorde.
Breves não acreditava na extinção do tráfico nem na abolição e continuou comprando escravos mesmo após a promulgação da Lei Eusébio de Queiróz, em 1850.
Em janeiro de 1852 foi confirmado o desembarque ilegal de africanos em terras pertencentes a sua família - justamente os escravos trazidos pelo Camargo.
Um processo chegou a ser aberto, mas Breves foi inocentado....
Por Roberta Jansen - O Globo
Bracuhy e local repleto de história. Tem a sua historia indígena, história da época do ouro e café, escravidão, e também história recente da época de construção de canal artificial.

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